Durante vários anos, grande parte da transição energética empresarial esteve focada numa pergunta: como produzir mais energia renovável? Hoje, a questão começa a ser diferente: como utilizar essa energia no momento em que gera mais valor? É aqui que o armazenamento de energia, em particular através de sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems), assume uma importância crescente.
A Europa precisa de mais flexibilidade
Quanto maior a integração de energia solar e eólica no sistema elétrico, maior é a necessidade de equilibrar momentos de elevada produção com períodos de maior consumo. Os números ajudam a perceber a dimensão desta transformação. Em 2025, foram instalados na Europa 36 GWh de nova capacidade de armazenamento em baterias, mais 48% do que no ano anterior, fazendo com que a capacidade operacional europeia ultrapassasse pela primeira vez os 100 GWh. A SolarPower Europe estima que as instalações anuais possam superar os 50 GWh já em 2026.
Não se trata apenas de acompanhar o crescimento das renováveis.
A própria dinâmica do mercado elétrico está a mudar. Segundo a ACER, as oscilações diárias dos preços grossistas de eletricidade na Europa são atualmente cerca de cinco vezes superiores às verificadas em 2020. A forte produção solar reduz os preços durante determinadas horas do dia, mas aumenta também a diferença entre períodos de abundância e períodos de maior procura. Ou seja, a energia está a tornar-se simultaneamente mais renovável e mais variável.
Do autoconsumo à gestão inteligente da energia
Para uma empresa com produção solar, uma bateria permite armazenar energia que não é necessária naquele momento e utilizá-la mais tarde. Mas olhar para storage apenas como uma forma de aumentar o autoconsumo é limitar o seu potencial. Dependendo do perfil energético e do mercado onde a empresa opera, um sistema de armazenamento pode ajudar a:
- aumentar a utilização da energia renovável produzida localmente;
- reduzir picos de potência e consumo;
- deslocar consumo ou energia armazenada para períodos economicamente mais favoráveis;
- reduzir exposição à volatilidade dos preços;
- responder a limitações de potência ou capacidade da rede;
- aumentar a flexibilidade e resiliência das operações.
A IEA considera já as baterias uma das tecnologias mais versáteis para proporcionar flexibilidade de curto prazo ao sistema elétrico. Existe também um fator económico importante: os custos dos projetos de battery storage caíram cerca de 40% em 2024, para aproximadamente 150 dólares por kWh.
O verdadeiro desafio é saber quando uma bateria cria valor
Isto não significa, naturalmente, que todas as empresas devam instalar baterias. O ponto de partida deve ser o perfil energético de cada operação. –
- Como é distribuído o consumo ao longo do dia?
- Quanto produz a instalação solar?
- Quanto dessa produção é autoconsumida?
- Existem picos significativos?
- Qual é o custo da energia nas diferentes horas?
- Existem limitações de rede?
- Que flexibilidade operacional existe?
Só depois destas perguntas faz sentido definir a potência, capacidade e estratégia de operação de um sistema de armazenamento.
O desafio não é dimensionar a maior bateria possível. É dimensionar a bateria que gera maior valor para aquele perfil energético.
É precisamente aqui que uma abordagem integrada se torna importante.
Na Helexia, olhamos para produção, armazenamento, consumo e gestão de energia como partes do mesmo sistema. A partir da análise do perfil energético da empresa, é possível avaliar onde o storage pode efetivamente criar valor, dimensionar a solução adequada e integrá-la com produção renovável e sistemas inteligentes de gestão de energia. Porque a próxima fase da transição energética não será apenas produzir mais energia renovável.
Será saber produzir, armazenar e consumir energia no momento certo, transformando flexibilidade em valor para o negócio.
