O turismo é um dos principais motores da economia europeia e um setor em que a energia desempenha um papel determinante. Em 2024, a Europa ultrapassou, pela primeira vez, os três mil milhões de dormidas em estabelecimentos turísticos. O setor representa cerca de 10% do PIB da União Europeia, assegura mais de 24 milhões de postos de trabalho e gera aproximadamente 1,75 biliões de euros por ano.
Estes números refletem não apenas a dimensão económica do turismo, mas também a importância de garantir a sua competitividade e capacidade de adaptação num contexto marcado pela volatilidade dos custos energéticos, por novas exigências ambientais e por expectativas cada vez maiores por parte dos clientes.
Nos hotéis, resorts e restantes empreendimentos turísticos, a energia está diretamente ligada à qualidade da experiência proporcionada aos hóspedes. Climatização, produção de água quente, cozinhas, lavandarias, piscinas, spas, iluminação e carregamento de veículos elétricos são componentes essenciais da operação e exigem consumos elevados e permanentes.
Por este motivo, a transição energética no turismo não pode ser encarada apenas como um exercício de redução de consumos. O verdadeiro desafio consiste em utilizar a energia de forma mais eficiente, inteligente e sustentável, mantendo ou melhorando simultaneamente o conforto, a qualidade do serviço e a experiência do cliente.
É precisamente neste equilíbrio que reside uma das maiores oportunidades para o setor.
A combinação entre eficiência energética, produção local de energia renovável, armazenamento e gestão inteligente dos consumos permite reduzir custos, aumentar a autonomia energética e proteger as operações contra a volatilidade dos mercados. Ao mesmo tempo, contribui para modernizar os ativos, melhorar o seu
desempenho e reforçar a sua valorização no longo prazo.
Esta abordagem torna-se ainda mais relevante num setor composto maioritariamente por pequenas e médias empresas e com uma elevada diversidade de edifícios, muitos deles com vários anos de operação. Cada unidade apresenta características específicas, pelo que a transição deve ser planeada de forma gradual e adaptada às necessidades concretas do negócio.
O primeiro passo deve passar por compreender como, quando e onde a energia é consumida. A monitorização e a gestão ativa permitem identificar ineficiências, antecipar desvios e apoiar decisões de investimento mais informadas. A partir desta base, torna-se possível combinar diferentes soluções, desde a modernização dos equipamentos e sistemas de climatização até à instalação de energia solar, armazenamento e infraestruturas de carregamento elétrico.
A gestão eficiente de outros recursos, nomeadamente da água, deve também fazer parte desta transformação. Num contexto em que as ondas de calor, a escassez de água e outros riscos climáticos afetam cada vez mais os destinos turísticos, a eficiência e a resiliência dos ativos tornam-se elementos fundamentais da continuidade e da qualidade da operação.
Além dos benefícios operacionais, as empresas do setor são também cada vez mais chamadas a medir e demonstrar o seu desempenho ambiental. Clientes, operadores turísticos, investidores e parceiros valorizam informação concreta sobre consumos, emissões e resultados alcançados. A capacidade de transformar dados energéticos em indicadores claros será, por isso, cada vez mais importante para diferenciar e valorizar os empreendimentos turísticos.
O financiamento continua, naturalmente, a ser uma dimensão central. Nem todos os operadores têm disponibilidade de capital para executar projetos energéticos de maior escala sem comprometer outras prioridades. No entanto, os modelos que integram financiamento, implementação, operação e compromisso de desempenho estão a permitir acelerar investimentos e transformar custos energéticos em oportunidades concretas de criação de valor.
A transição energética pode, assim, representar uma nova vantagem competitiva para o turismo europeu. Não se trata apenas de consumir menos energia, mas de gerir melhor os recursos, reduzir a exposição ao risco, modernizar os ativos e criar operações mais eficientes e resilientes.
No turismo, energia, conforto e experiência estão profundamente ligados. As empresas que conseguirem gerir esta relação de forma integrada estarão mais bem preparadas para reduzir custos, responder às novas exigências do mercado e continuar a oferecer experiências de elevada qualidade aos seus clientes.
Artigo publicado em www.ambitur.pt
