Um país a precisar de recarregar baterias

Os sistemas de armazenamento de energia (BESS) são apenas uma peça do quebra-cabeças, mas uma peça e contributo fundamental ao equilibro global do sistema elétrico.

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Artigo de opinião publicado em Visão

O apagão ibérico de abril foi um lembrete contundente: num sistema tão interligado, basta um segundo de desequilíbrio para tudo estremecer

O vento sopra, o sol brilha, a água corre. E, ainda assim, há momentos em que parece que a energia – a limpa – nos escapa. E não, não se trata de escassez na produção. Veja-se o caso particular da energia solar. Só nos primeiros sete meses deste ano, Portugal adicionou ao seu sistema elétrico 626 megawatts (MW) fotovoltaicos e tem ainda intenção de cumprir a meta de que fixou no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), de alcançar 20,8 gigawatts (GW) de capacidade solar em 2030. Então, o que falta? Capacidade de armazenamento.

O apagão ibérico de abril foi um lembrete contundente: num sistema tão interligado, basta um segundo de desequilíbrio para tudo estremecer. A transição energética exige mais do que a produção: requer uma gestão inteligente do mix de fontes, armazenamento eficiente e equilíbrio entre produção e consumo, no tempo certo. E é aqui que entram os sistemas de armazenamento de energia (BESS) – como uma das soluções-chave para armazenar esta energia nos momentos de abundância (quando o sol brilha forte ou o vento sopra intensamente), e de a devolver quando falta, equilibrando a rede e garantindo que a eletricidade limpa chega a todos.

Correndo o risco de ser demasiado técnico e perder a atenção do leitor, a verdade é que, com as baterias, a rede respira melhor: a tensão e a frequência mantêm-se estáveis, os picos de consumo são suavizados e as sobrecargas absorvidas. Em dias de produção excessiva, as renováveis entram sem sobressaltos, sem risco de desperdício ou instabilidade.

Para as empresas, cada megawatt armazenado representa autonomia e estratégia. Podem guardar energia quando está barata, libertá-la quando os preços disparam, reduzir custos e até participar em mercados de flexibilidade – transformando eletricidade em vantagem competitiva. Já para a população, a diferença é sentida no quotidiano: contas mais previsíveis, menor risco de apagões, energia disponível nos momentos críticos.

E, no entanto, ainda avançamos devagar. Os projetos demoram a sair do papel, a burocracia emperra, há investidores que hesitam. Mas cada oportunidade adiada deixa o sistema mais vulnerável. Estamos numa encruzilhada: podemos continuar a produzir energia limpa e vê-la escapar, ou podemos investir nas soluções que a guardam, a gerem e a tornam útil. Os sistemas de armazenamento de energia (BESS) são apenas uma peça do quebra-cabeças, mas uma peça e contributo fundamental ao equilibro global do sistema elétrico.

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