Este artigo, assinado por Luís Pinho, Diretor-Geral da Helexia Portugal, foi publicado na revista Aspectos da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa. Nele, reflete-se sobre os desafios energéticos atuais e o papel estratégico da energia, eficiência e da sustentabilidade na competitividade das empresas portuguesas.
A energia deixou de ser apenas uma preocupação técnica para se tornar um fator central na competitividade das empresas portuguesas. A crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia veio expor de forma clara a fragilidade das economias fortemente dependentes de combustíveis fósseis. Portugal, no entanto, dispõe de uma vantagem estrutural relevante: condições naturais excecionais para a produção de energia renovável, como o sol e o vento.
Ao apostar num mix energético mais limpo, local e resiliente, as empresas portuguesas conseguem reduzir a exposição à volatilidade dos mercados internacionais, estabilizar os seus custos operacionais e diminuir a sua pegada ambiental. Atualmente, mais de 60% da eletricidade consumida em Portugal já provém de fontes renováveis (dados de 2024). Ainda assim, o preço médio da eletricidade para a indústria tem oscilado entre os 100 e os 150 €/MWh, com variações significativas consoante a origem da energia.
A transição energética, contudo, não se esgota na produção de energia limpa. Produzir melhor é apenas metade do desafio. A outra metade está em consumir menos. A descarbonização da indústria começou com o autoconsumo solar, mas é essencial dar o próximo passo: a eficiência energética. Uma parte significativa da energia utilizada na indústria continua a ser desperdiçada, o que representa custos evitáveis e impacto ambiental desnecessário.
Uma estratégia eficaz de eficiência energética deve assentar em três pilares fundamentais: diagnósticos rigorosos através de auditorias energéticas, otimização de processos com tecnologias mais eficientes e gestão inteligente com sistemas de monitorização e controlo em tempo real. A estes pilares junta-se o armazenamento em baterias, que permite utilizar a energia produzida localmente nos momentos de maior necessidade, reduzindo picos de consumo e aumentando a autonomia energética. Empresas com certificação ISO 50001 têm registado reduções de consumo superiores a 10%, e a capacidade de armazenamento em baterias continua a crescer a dois dígitos ao ano na Europa.
Neste contexto, o reporte de indicadores ESG (ambientais, sociais e de governance) ganha cada vez mais importância nas decisões de investimento e nas cadeias de valor globais. O que durante muito tempo foi encarado como um encargo administrativo é hoje uma ferramenta estratégica. A Europa lidera esta transformação com conceitos como a dupla materialidade — que avalia tanto o impacto da empresa no ambiente como o impacto do
ambiente na empresa — e com instrumentos como a taxonomia verde, que estabelece critérios claros para definir atividades sustentáveis.
As empresas que adotam uma abordagem proativa ao ESG estão a colher os frutos: atraem mais investimento, reforçam a sua reputação e estão melhor preparadas para responder a exigências regulatórias e de mercado. A partir de 2025, mais de 50 mil empresas na União Europeia estarão obrigadas a reportar segundo a nova diretiva CSRD. Globalmente, o investimento em ativos sustentáveis já ultrapassou os 30 biliões de dólares.
Neste percurso de transição energética e sustentabilidade, os parceiros certos fazem toda a diferença. A transformação exige conhecimento técnico, visão estratégica e capacidade de execução. É aqui que empresas como a Helexia acrescentam valor, oferecendo soluções integradas que incluem produção de energia renovável, eficiência energética, mobilidade elétrica e apoio ao reporte ESG. Este tipo de apoio permite transformar obrigações em oportunidades e alinhar as empresas com as exigências do futuro.
Num cenário de incerteza económica, é natural que algumas decisões sejam adiadas. No entanto, é precisamente nestes momentos que se distingue quem está verdadeiramente comprometido com o futuro. Investir em sustentabilidade é uma decisão racional — permite reduzir riscos, melhorar a eficiência operacional, fortalecer a reputação e preparar o negócio para responder às expectativas de consumidores, investidores e talentos.
As tendências de mercado confirmam esta realidade: 73% dos consumidores europeus preferem marcas com compromissos ambientais claros, e as empresas com forte desempenho ESG registam, em média, menor custo de capital e maior valorização a longo prazo. Sustentabilidade, mais do que uma opção ética, é uma escolha estratégica.